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terça-feira, 30 de maio de 2017

JÁ DIZIA MINHA TIA: SEXO NÃO TEM RIMA

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Dizem por aí que sexo é vida.
Mentira.
Vida é sexo - e sem vice-versa.
Eu, com meus sessenta e três anos, desfrutando de bons coquetéis de cânones mal e porcamente literários, estou, pois, a essa altura porque deixei transar. Deixei, então, por consequência, de viver. Deixei e, exatamente há três anos, sou poeta. Há exatamente três anos que passei a ser passivo na vida e ativo na poesia. Há apenas três anos e já sou um grande poeta.
Não se enganem, amigos: enquanto esses velhinhos que ainda se dizem poetas, ou são ditos poetas, dizem ser aqueles quem não são ou o que já não fazem, eles riem da má sorte que têm e tristemente do fato de não praticarem mais sexo. Esses poetas, ainda por consequência das circustâncias, não têm mais vida. São poetas que não vivem mais. Escrevem pela morte do sexo - pela morte da própria vida.
- Uma ótima inspiração poética a morte, já diziam os vivos.
(Os românticos, virgens, eram jovens gênios. Os clássicos, mais que vovôs, eram broxas. Os marginais, bom, eram marginais. Os contemporâneos - ah, esses ainda não são poetas, grandes poetas...)
Portanto, amigos, denunciem ao júri da estética sexual caso algum poeta, algum bom ou razoável poeta, lhes disser que ainda faz sexo. Denunciem. Reclamem ao poder sobre tais desaforos. Para tal, não esqueçam: um grande poeta não faz sexo. Se razoável poeta, talvez até faça. Se faz, é ruim de cama. Se ruim de cama e razoável poeta, infeliz.
Se sou feliz?
- Sim, amigos, sou muito feliz.

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