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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A DITADURA DO PRAZER

Liberte-se dos orgasmos de consumo imediato.
A sociedade da satisfação imediata valoriza o orgasmo como a representação máxima do prazer sexual. Esta ditadura do prazer pode gerar equívocos, mal-entendidos e frustrações. Na mulher, o orgasmo não é um fenómeno vascular, mas sim cerebral e neuromuscular. Existem contracções reflexas, rítmicas e involuntárias (3 a 8 contracções com 0,8 segundos de intervalo). A libertação súbita da tensão muscular envia ondas de prazer para a área genital e, por vezes, para todo o corpo. A intensidade do prazer orgásmico pode variar de mulher para mulher: desde uma estimulação média, com capacidades cognitivas intactas, até ao êxtase que pode levar à perda momentânea da consciência.
Em média, o orgasmo da mulher sucede 6 a 8 minutos após o início da excitação sexual e da penetração; nos homens demora cerca de 2 a 4 minutos. Mas...
  • Cerca de 8 a 10% das mulheres nunca tiveram um orgasmo, nem vão ter
  • Cerca de um terço das mulheres referem problemas orgásmicos
  • Os orgasmos múltiplos são raros: a maioria das mulheres só consegue um orgasmo

Os inúmeros estudos que quantificam a satisfação sexual indicam que, para a maioria das mulheres, os aspetos não genitais do encontro sexual (intimidade, proximidade, ternura e sensualidade) são fatores mais determinantes da satisfação sexual do que a presença ou ausência de orgasmo. Ou seja, uma relação sexual pode ser gratificante para a mulher sem haver orgasmo. Isso é quase incompreensível para os homens, em que o orgasmo é um componente quase sempre presente e considerado obrigatório para se atingir o prazer sexual. Essa exigência masculina é o motivo que leva muitas mulheres a fingirem o orgasmo, sabendo a valorização do orgasmo pelo homem.
E nos homens? Também existem contrações reflexas, rítmicas e involuntárias da região pélvica e de todo o corpo, com características semelhantes às das mulheres, A maioria das mulheres dá mais importância à intimidade e à sensualidade para a satisfação sexual, ou seja, com aumento do ritmo cardíaco e respiratório, contrações musculares pélvicas e de todo o corpo, perda da compostura do rosto, com esgares e eventualmente alguns gemidos ou sons guturais. Mas os homens sentem o orgasmo de forma diferente das mulheres. Ainda que a sensação de prazer seja, em ambos, controlada pela mesma zona cerebral, o orgasmo masculino, contrariamente ao que acontece na mulher, é acompanhado pela ejaculação do esperma, que é um mecanismo neuromuscular reflexo com origem na medula espinal. As mulheres não têm esse componente da resposta sexual dos homens e isso faz diferença.
A intensidade e o prazer orgásmicos são variáveis de pessoa para pessoa e conforme as circunstâncias. O objetivo do orgasmo simultâneo, perseguido com dificuldade por muitos casais, só é conseguido com uma gestão adequada dos preliminares sexuais.

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