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terça-feira, 8 de agosto de 2017

SEXUALIDADE SEM FRONTEIRAS

Que tal desfazermos os nós que ainda envolvem a sexualidade? Trazemos dentro de nós uma série de crenças que defendemos como se fossem ideias próprias. Só tratamos de refletir acerca de seu conteúdo em momentos de crise, quando elas se mostram totalmente incompetentes para explicar o que estamos vivenciando ou o que está nos acontecendo.

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Qual o sentido dos muros que precisamos erguer para a sobrevivência? Flávio Gikovate, psiquiatra formado pela USP, conferencista com livros vendidos no Brasil e no exterior, propõe um novo paradigma no que se refere à sexualidade humana em sua obra: “Sexualidade sem fronteiras” (2014), MG Editores.
Embora no século XX, o surgimento da psicanálise e a revolução sexual tenham contribuído para aumentar as discussões em torno da sexualidade, poucos avanços ocorreram de fato nesse campo da existência humana.
Trazemos dentro de nós uma série de crenças que defendemos como se fossem ideias próprias. Só tratamos de refletir acerca de seu conteúdo em momentos de crise, quando elas se mostram totalmente incompetentes para explicar o que estamos vivenciando ou o que está nos acontecendo.
No século passado, há bem pouco tempo, os papéis que definiam os gêneros eram claros. Ao homem cabia a função de provedor, protetor, além de executor de tarefas, tais como: manutenção de automóveis, consertos de equipamentos elétricos etc. À mulher cabia o cuidado com a casa (ainda que trabalhassem fora), cuidado com os filhos e com o vestuário da família. As diferenças entre os gêneros eram extraordinariamente marcadas. Quando o assunto era o sexo, sabíamos que o gênero masculino usufruía de privilégios inacessíveis às mulheres.
Para o autor, é sempre bom verificar que esses papéis estão sendo cada vez mais modificados, de modo que podemos pensar, num futuro próximo, em um mundo mais unissex: tanto no sentido dos direitos como nos deveres. Um universo desse tipo criará condições bem mais favoráveis para que homens e mulheres sejam amigos. Isso também influenciará na derrubada de muralhas relacionadas à heterossexualidade e à homossexualidade. É sabido que ainda presenciamos dois grupos inimigos pelo fato de, por inúmeras razões, os indivíduos terem seu interesse erótico direcionado para parceiros do sexo oposto ou do mesmo sexo.
Talvez seja a hora de pensar que as pessoas não precisem mais se definir como portadoras de uma orientação sexual definitiva. Isso significa que é possível, ao longo da vida, relacionarem-se com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo, de acordo com os seus desejos, livres de preconceitos. Só dessa maneira será possível conquistar a chamada liberdade sexual.
Quando o assunto é amor e sexo, tese igualmente discutida na obra de Gikovate diz respeito à radical diferenciação que devemos fazer entre os dois. Sexo e amor são impulsos autônomos. Para o autor, o sexo é um fenômeno pessoal até mesmo na fase adulta das pessoas, ele só se torna interpessoal quando o amor participa dele, o que, todos sabem, não é obrigatório.
A diferenciação entre amor e sexo dará abertura para um caráter lúdico das relações sexuais. Aquele realizado por puro prazer, sem juízes ou avaliações impressas em nossa cultura. Pois quanto maior for nossa preocupação com o desempenho e com a avaliação que o parceiro fará, mais distante ficaremos do sexo prazeroso. Fazendo com que as pessoas possam escolher e vivenciar os tipos de carícia – consentida – que mais lhe agradarem. Cada um deve ser livre para (re)direcionar seus interesses eróticos da forma como bem lhe aprouver.
Sobre o amor, o psicanalista defende que é chegada a hora de decretar o fim de sua atual noção de incompletude, uma “imaturidade não resolvida entre os seres humanos.” “O romantismo do século XXI não precisa ter mais essa ideia de fusão de duas metades, mas sim a tentativa de aproximação de dois inteiros.”
Quer concordemos ou não com Flávio Gikovate, há uma revolução sexual em curso, embora o caminho ainda seja longo.
"Falta a liberdade para exercer o ato sexual de forma lúdica e totalmente desprovida de preocupação com a performance e com o desejo de impressionar o parceiro." "Falta também entender que o sexo é muito mais rico e gratificante quando vivenciado no contexto de uma relação amorosa de boa qualidade, fundada em afinidades de caráter, gostos e interesses."
São muitas as aberturas propostas pelo escritor, acatando-as ou não, o importante é refletir sobre tais questões para que possamos tentar desenvolver um ponto de vista que nos ajude a avançar na direção da melhora da qualidade de vida, da harmonia e do respeito entre nós: seres humanos em constante estado de aprimoramento e mudança.

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